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Uma breve história da Páscoa

  • RP História UNEB
  • 6 de abr. de 2021
  • 4 min de leitura

Imagem extraída de: https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/origem-pascoa.htm



Domingo, dia 04 de abril, comemorou-se o feriado da Páscoa. Também chamado de Domingo da Ressurreição, é a festa cristã mais antiga a qual se tem conhecimento. Sagrada para todos os cristãos, principalmente os católicos, nesta celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo, três dias após sua crucificação e morte. A Páscoa, ao contrário de outras festividades, não possui uma data fixa, visto que esta é calculada de acordo com o movimento da lua, e definida pela Igreja Católica, alocando-a sempre para um domingo, influenciando assim outras festividades cristãs que também possuem datas móveis, como o Carnaval e o Corpus Christi.

É uma celebração carregada de simbolismos. O consumo do ovo da páscoa, de todos eles, é o mais conhecido e apreciado. O simbolismo por trás do ovo tem origem nas culturas antigas e pagãs (não cristãs) da antiguidade, como o Antigo Egito e a Mesopotâmia, que enxergavam neste alimento uma forma de celebrar a vida e o nascimento. Com a assimilação de culturas, o ovo acabou absorvendo um sentido de renascimento e ressurreição. Acredita-se que os cristãos têm esse imaginário pois dentro de um ovo uma vida nova sempre irá surgir, deixando a casca e o interior, criando a metáfora que o ovo vazio representa a tumba que Jesus foi sepultado, além de remontar à origem da palavra Pessach, da festividade judaica, que significa passagem em hebraico, e comemora a libertação do povo hebreu do seu cativeiro no Egito.

Há outras fontes que afirmam o consumo intenso de ovos após o Domingo, pois quarenta dias antes os cristãos estariam em Quaresma, período este que compreende o tempo em que Jesus Cristo esteve em jejum no deserto. Neste período o consumo de ovos estaria proibido, logo, estes acumulavam-se e, para dar um sentido maior à tradição, em algumas culturas, sobretudo as do leste europeu e as anglófonas, estes eram cozidos e pintados, incialmente de vermelho para representar o sangue de Cristo, e posteriormente distribuídos em forma de presentes, gerando um forte tradicionalismo.

O simbolismo do coelho também é bastante notável nesta época do ano. Devemos considerar que boa parte da nossa cultura cristã é importada da Europa, devido ao colonialismo lusitano, e como lá, tratando-se do hemisfério norte e início do equinócio da primavera, é o momento em que os coelhos buscam parceiros para acasalar e terem seus filhotes, sendo assim, este animal acabou sendo adotado como símbolo de fertilidade, renascimento, fartura e vida, tornando-se comum a representação dos coelhinhos distribuindo ovos de chocolate para as crianças, surgindo na Europa Central e se difundindo ao redor do mundo.

Como dito anteriormente, todos os cristãos celebram a Páscoa, entretanto, nem todos utilizam-se destas simbologias, comemorando à sua própria maneira, visto que consideram estas impuras em função de suas origens pagãs. Podemos destacar os puritanos e as Testemunhas de Jeová.

Ao longo deste texto contei-lhes a respeito de como os ovos eram entregues como forma de presente no período em que as festividades da Páscoa estão compreendidas, faz se importante destacar que se tratam de ovos de verdade, visto que os de chocolate propriamente ditos surgem apenas no início do século XIX (Era Industrial), nas regiões da Alemanha, França ou Bélgica, estudiosos ainda discutem esta origem. Estes eram, inicialmente, cascas de ovos de verdade recheadas com chocolate. Não se sabe ao certo o porquê isto se dava, mas presume-se de que pelo fato de que as versões em chocolate seriam um tanto mais interessantes, além de que o mundo já estava passava pela Segunda Revolução Industrial, na era do Capitalismo e, logicamente, ovos de chocolate teriam aí um valor a mais agregado, tanto pelos ingredientes, quanto pelo processo de manufatura.

O tempo passou, e a cultura dos ovos de Páscoa tornou-se cada vez mais forte pelo fim do século XIX, deixando de ser um produto artesanal para um produto concebido em massa na Inglaterra, esta que, à época, configurava-se como a principal potência global, controlando um quarto do globo terrestre. Estes tipos de ovos aprofundaram-se como tradição, assumindo o aspecto massivo comumente conhecido. É interessante apontar que os ovos contando com surpresas em seu interior, em verdade, não eram feitos de chocolate, e sim de minerais preciosos, sendo entregues para a realeza europeia como forma de presente por criação do joalheiro russo Fabergé. O mais famoso destes foi o Ovo da Coroação, entregue para a Imperatriz Czarina Alexandra, da Rússia, permanecendo até hoje como um clássico, embora haja diversos outros ovos semelhantes em posse de ricas famílias e grandes colecionadores.

No Brasil, muitos povoados se reúnem nessa época e encenam as passagens da Paixão de Cristo, um filme que retrata o sofrimento vivido por Jesus Cristo carregando a sua própria cruz até o calvário. Alguns são excepcionalmente realistas, contando com atores dispostos a se deixarem pregar na cruz com cravos reais em forma de penitência e demonstração de fé. As tradições estendem igualmente para o campo da culinária, onde os mais religiosos deixam de comer carne vermelha, consumindo apenas peixes entre outros frutos do mar, sobretudo o bacalhau e demais peixes salgados, uma herança dos colonizadores portugueses. Na Bahia se faz o largo consumo do leite de coco e do azeite de dendê, já na região norte, o prato mais consumido é o Pirarucu, peixe nativo da Bacia Amazônica.

Assim como as demais festas cristãs, a Páscoa foi ganhando grandes contornos capitalistas e financeiros, deixando aos poucos o ideal de uma comemoração a princípio simples, reflexiva, fraterna e sobretudo religiosa, se desenhando uma festividade que esbanja ostentação, criando estereótipos de que é importante comer chocolate nesta época do ano e quem não o faz está fora dos padrões da sociedade. Não só o chocolate, mas outros produtos como o peixe sobem disparadamente, gerando exclusão e desigualdade em quem não tem condições de dar um presente para o seu filho ou fazer um banquete a altura do que a mídia impõe.



Referências:


LONDON, Lella; DALY, Hannah. Easter 2021: chocolate eggs, hot cross buns and why we eat fish on Good Friday. Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;


LEANDRO, Célio. Páscoa e capitalismo: mais chocolate, menos fé. Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;


Páscoa. Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;


The World of Fabergé: The Imperial eggs. Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;


Why don’t Jehovah’s Witnesses celebrate Easter? Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;


History of chocolate Easter Eggs. Disponível em: acesso em: 28 de março de 2021;

 
 
 

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Paulo Freire

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