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UCRÂNIA X RÚSSIA

  • RP História UNEB
  • 11 de mar. de 2022
  • 5 min de leitura

Vilson Francisco


Na madrugada de 24 de fevereiro, uma quinta-feira, a Rússia lançou um ataque devastador por meio de céu, terra e mar contra a Ucrânia, uma democracia europeia com cerca de 44 milhões de habitantes. A possibilidade de tal situação tornar-se realidade já pairava sobre a mente de muitos meses antes do ocorrido, entretanto, era comum tomar isto como algo distante e improvável, mesmo que os indicativos estivessem ali. Entretanto, isto em nada impediu que o mundo fosse pego de surpresa por este conflito, levando muitos a questionar exatamente quais seriam as razões para que o líder russo, Vladimir Putin, realizasse um ataque desta magnitude em um país vizinho. Um ataque que põe a paz no continente europeu em cheque, afetando igualmente, mesmo que indiretamente, diversas outras locações.

Não é de hoje que a Rússia e a Ucrânia têm se encontrado em conflito ao longo de sua história. Há diversas questões não muito bem resolvidas entre estes, principalmente no que se refere ao fato de que a Ucrânia já foi incorporada pela Rússia e os soviéticos, vindo a fazer parte da União Soviética no passado.



Imagem extraída de: <https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2022/02/24/por-que-a-russia-invadiu-a-ucrania.ghtml>. Acesso em: 11/03/2022.


Putin justificou na mesma data em que se deu o início dos ataques em um comunicado oficial, que a Rússia não poderia se sentir segura para existir e se desenvolver visto o que este disse ser uma constante ameaça vinda da Ucrânia moderna. Um pandemônio se seguiu à medida que aeroportos e bases militares foram atacadas, tropas acompanhadas de tanques de guerra invadiram as ruas, territórios que antes já se encontravam em conflito, como Criméia e Belarus foram anexados, cidades foram bombardeadas e milhares de pessoas foram forçadas a fugir de seus lares. Tudo isto sem que sequer o governo russo se referisse a tais ações como uma guerra ou até mesmo invasão, tomando as ações simplesmente como “operações militares especiais”. Uma missão para proteger a população ucraniana, e as regiões vizinhas, da ameaça de genocídio e auxiliar em um processo de desmilitarização e “desnazificação” do território. Mas será que uma democracia, liderada por um presidente judeu, Volodymyr Zelensky, poderia realmente ser uma ameaça da magnitude que o líder russo alega? Avaliemos a situação.

Vladimir Putin tem acusado com certa frequência a Ucrânia de estar sob a influência de extremistas desde a saída do poder do presidente Viktor Yanukovych, um apoiador do presidente russo, em 2014. Entretanto, a Ucrânia tem, em verdade, executado movimentos de aproximação com outras potências europeias, chegando até mesmo a buscar um lugar na União Europeia, algo que foi motivo de protesto na capital russa, Moscou. Mas também não somente essas, visto que até à OTAN, o país já demonstrou interesse em fazer parte. Não é complicado, a partir disto, compreender as razões que levaram Putin a tomar a iniciativa e as devidas providências para impedir isto, quando diversos outros países da vizinhança já possuíam vínculos com ambas as organizações, alegando que isto era uma ameaça ao futuro da nação russa. Mas, e quanto a questão nazista?

Apesar de Putin estar se utilizando de forte propaganda a fim de justificar os horrores que têm ocorrido em tempos recentes, é necessário ter em mente que a Ucrânia tem, de fato, um problema com o nazismo, embora esteja longe de ser tão grave quanto o presidente russo afirma. A Ucrânia, apesar de ter uma grande comunidade judia, possui um sério histórico de atitudes antissemitas e até mesmo cooperação com Adolf Hitler.

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, a Ucrânia era o lar de cerca de 2,7 milhões de judeus, o que se configurava em uma das maiores comunidades judias de toda a Europa. Até o fim da guerra, mais da metade desta população havia sido massacrada. Quando as tropas alemãs tomaram o controle da capital do país, Kiev, em 22 de junho de 1941, não foi através de conflitos que o fizeram, mas sim com saudações e uma bela recepção. Isto pois, inicialmente, foram tomados como libertadores por uma porção da população, visto que a Alemanha era uma inimiga jurada tanto da Polônia quanto da União Soviética, levando-os a acreditar que seria através destes que viriam a adquirir sua independência. Tais esperanças foram logo destruídas à medida que os nazistas passaram a visar a implementação de suas políticas raciais. Não muito depois se deu início ao massacre e remanejamento dos judeus para o leste.

Sob condições tão brutais, políticos ucranianos passaram a agir secretamente a fim de organizar movimentos de resistência. Estas células rebeldes eventualmente passaram a ser descobertas, levando a medidas repreensivas como até mesmo a execução. Entretanto, algumas destas continuaram a existir, levando a um movimento soviético que assumiu características de guerrilha. Mas foi apenas com a vitória soviética contra os alemães na Batalha de Stalingrado em1943, que estes passaram a lançar contraofensivas em direção ao oeste. Em novembro daquele mesmo ano os soviéticos reentraram a capital Kiev, e com mais um ano de intensos conflitos e destruição, em 1944 haviam retomado completamente o controle da Ucrânia, que só veio a se ver independente desta em 1991.

Apesar de na contemporaneidade a Ucrânia contar com uma comunidade judia cada vez maior, e que goza de direitos antes jamais imaginados, esta ainda sofre com o vandalismo de suas sinagogas e memoriais com pichações de suásticas. Não somente isto, mas foram igualmente erguidas, em tempos recentes, estátuas em honra a personalidade históricas ucranianas cujos legados estão manchados por terem sido apoiadores do nazismo. Grupos de extrema direita têm também ganho cada vez mais espaço politicamente, e entre os números dos batalhões voluntários de combate à invasão russa é possível encontrar veteranos de guerra, que lutaram nos conflitos no sul do país, e faziam parte do Batalhão de Azov, fundado por um supremacista branco que alega ser ao objetivo nacional da Ucrânia se livrar, expurgar os judeus e “outras raças inferiores”.

Pelo andamento dos conflitos, presume-se que Putin deseja tomar o controle da ucrânia e remover seu governo eleito democraticamente, contudo, o presidente russo nega veementemente tais intenções, negando até mesmo as acusações de que estaria tramando instalar um governo pró-Rússia.

Independentemente das justificativas apresentadas a respeito da defesa e proteção da população, o que tem se mostrado é exatamente o contrário, é de vidas inocentes que se fala e é por estas que se deve zelar. Neste conflito, mas igualmente em outros também, são exatamente estes os que sofrem. Não importando sua cor, ou seja lá o que quer que se busque justificar a brutalidade de atitudes que visam unicamente o poder e não a vida, cada indivíduo como ser humano tem direitos, e um destes é o de viver em paz.


REFERÊNCIAS:


BRAUN, Julia. Rússia invade Ucrânia: 10 questões para entender a crise. BBC News Brasil, 2022. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60462510>. Acesso em: 05/03/2022.


G1. Por que a Rússia invadiu a Ucrânia. G1, 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2022/02/24/por-que-a-russia-invadiu-a-ucrania.ghtml>. Acesso em: 05/03/2022.


KIRBY, Paul. Why is Russia invading Ukraine and what does Putin want?. BBC News, 2022. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/world-europe-56720589>. Acesso em: 05/03/2022.


Ukraine – Soviet Ukraine in the postwar period. Britannica, 2022. Disponível em: https://www.britannica.com/place/Ukraine/Soviet-Ukraine-in-the-postwar-period>. Acesso em: 11/03/2022.

 
 
 

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