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29 de outubro: Dia Nacional do Livro

  • RP História UNEB
  • 29 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Imagem extraída de: <https://blog.estantemagica.com.br/dia-do-livro-todo-dia/>.


Lucas Costa Freire


Desde o ano de 1810, o dia 29 de outubro é conhecido como dia Nacional do Livro e você sabe o porquê? A escolha da data se deu, principalmente no contexto histórico da fuga da Família Real Portuguesa ao Brasil, devido as Guerras Napoleônicas travadas no Continente Europeu, vamos descobrir em detalhes abaixo, senta que lá vem história.

Devido ao imbróglio, a Família Real ao chegar aqui, em terras tupiniquins, se deparou com uma colônia extremamente atrasada tecnologicamente, em comparação às colônias espanholas, não havia muita coisa por aqui, apenas pequenas instituições de governança e uma produção massiva e escravocrata voltada em sua maioria ao mercado de exportação, a educação, a saúde e o sistema financeiro eram praticamente controlados e exercidos pela igreja, sob intermédio da Coroa Portuguesa, logo mudanças radicais precisavam ser feitas.

Como sabemos, pequeno país lusitano encontrava-se ocupado e em estado de guerra, o então príncipe-regente e futuro Rei de Portugal, Brasil e Algarves, Dom João VI, por meio de decretos instituiu uma série de inovações que incluíam dentre elas a construção e ativação de universidades e escolas, a abertura dos portos às nações aliadas e a instauração do Banco do Brasil para controlar a emissão de moeda, além de todo um remanejamento urbano e estrutural, porém uma delas não passou despercebida e não foi menos importante que as demais já mencionadas, sobretudo pelo grande valor histórico e educacional, que foi a transferência da Real Biblioteca Portuguesa, alocada na cidade do Rio de Janeiro e até hoje permanece imponente.

Sabe-se que, muitos desses livros vieram acomodados em porões e em bagagens de mão dos tripulantes da comitiva real, e necessitavam de um armazenamento e arquivamento especializados, ainda mais se levarmos em conta que os livros antigos não são como os de hoje, e até mesmo os de hoje precisam de um carinho especial e de um zelo a fim de conservá-los intactos e prontos para o uso.

E por falar na história do livro, lá vai umas curiosidades para vocês, leitores do nosso blog: Para você aí que está acostumado com livros bem editados, revisados e encadernados, saibam que no passado distante não era bem assim, os primeiros ‘livros’ da Antiguidade, ou melhor, os primeiros registros gráficos, são datados de uma época bem remota e observados nas comunidades do que hoje conhecemos geograficamente como Mesopotâmia e Egito, eram feitos inicialmente em tábuas e placas de pedra e argila, e posteriormente em folhas de uma fibra vegetal organizadas e unidas verticalmente, conhecida como Papiro, inclusive deixo bem claro que a ‘invenção’ da escrita, ou melhor, o condicionamento de códigos por meio de simbologias, as quais juntas representavam fonemas e significados complexos foi um passo marcante na história da humanidade, dando um salto daquilo que conhecemos como a ‘Idade da Pedra’ ou Pré-História e início da História [Antiga], de fato. Não podemos perder de vista, que há certas problemáticas em relação à esta nomenclatura, pois hoje em dia, nós historiadores entendemos que não é só através da escrita que preservamos os registros históricos, e ver as sociedades pretéritas a este momento como desprovidas de uma história nos faz cair na mesma retórica infeliz que foi usada para justificar o colonialismo (por exemplo) e outros atos cruéis ocorridos no mundo ao longo dos séculos, porém isso será um assunto que iremos debater num outro momento. [Assim espero]

Voltando à história do livro, por muitos anos, enquanto o Egito prosperou como um Império influente, o papiro era utilizado, com as guerras, as conquistas e a inevitável decadência deste último, outros impérios vieram substituir esse material por outros que eram considerados muito mais resistentes e de fácil armazenamento, como por exemplo o pergaminho, feitos comumente de pele animal, onde os escritos poderiam ser depois enrolados. O pergaminho atravessou séculos, quiçá milênios, dos tempos Clássicos até o Medievo Ocidental para ser mais preciso, tudo mudou apenas após com o advento do papel pelos chineses e o transporte e comercialização deste recurso pelos povos da Ásia Central e Oriente Médio, se desenvolvendo e consolidando-se na Europa apenas a partir do século XII.

Os livros escritos inteiramente a mão eram cansativos, limitados em número e de durabilidade duvidosa, uma alternativa precisa ser tomada para controlar este fato, e em 1455 o alemão Johannes Gutenberg causou a mudança que veio a ser revolucionária para a história da escrita. Gutenberg criou uma técnica de prensa com uma impressora que reproduzia letras e símbolos com relevo esculpidos em metal, como se fosse carimbos. O processo espalhou-se rapidamente pela Europa e, logo, pelo mundo, tornando-se uma das maiores revoluções culturais e tecnológicas da humanidade. O primeiro livro impresso por Gutemberg foi a Bíblia, o exemplar foi escrito em Latim, contando com 1282 páginas.

Após este feito, os séculos que vieram se tornaram os séculos dos livros, não existiria as grandes Revoluções ideológicas, tecnológicas e religiosas se não fossem veiculadas pelos livros, não existiriam enciclopédias, bibliotecas, cartas náuticas e o conhecimento e a alfabetização continuaria monopolizado e restrito às classes sociais mais abastadas da sociedade, bem como não existira a instauração e a reafirmação da nacionalidade e o surgimento de estados nacionais se não fossem através dos livros clássicos. Os livros mudaram a nossa perspectiva e moldaram profundamente o mundo como conhecemos.

Aqui no Brasil, o primeiro livro impresso foi Marília de Dirceu, do autor Tomás Gonzaga, em 1810, a chegada da imprensa seguiu neste mesmo contexto, imprimindo os primeiros periódicos da época, inicialmente financiados pelo governo português, mas que lentamente foram conquistando seu espaço autônomo. Os livros criados e as escritas que aqui chegavam ou eram reeditadas e traduzidas impulsionaram diversos atos, como a Independência, o Golpe da República e a abolição da escravatura.

Ler um livro especifico dependendo do momento histórico pode ser um ato de resistência, ler transforma a mundo, transforma o indivíduo, cria caráter, personalidade, estimula as ideias e os ideais, portanto criem o hábito da leitura, agora que você sabe o quanto foi importante a trajetória do livro e poder que o mesmo exerceu em nossa sociedade, dê mais valor, procure selecionar uma história que o desperte interesse, e nunca julgue um livro pela capa. Sabemos que a vida é cheia de cobranças, muitas vezes o cansaço, a falta de tempo livre e os vícios levianos do dia-a-dia nos afastam da leitura, mas sempre que possível carregue um livro, acompanhe as notícias, leia e compartilhe conteúdo com quem você ama, porquê a maior arma contra a ignorância e o autoritarismo é o conhecimento.

 
 
 

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"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."

Paulo Freire

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