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Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

  • RP História UNEB
  • 9 de mai. de 2021
  • 6 min de leitura

Imagem extraída de:

<https://nace.igenomix.com.br/blog/e-possivel-detectar-o-autismo-no-pre-natal/>.


Você provavelmente já deve ter ouvido falar do termo autismo, ou então conheceu uma pessoa a qual era referida como autista e não soube exatamente do que se tratava. Existem diversos tópicos nos mais variados campos do conhecimento que, embora façam parte de nosso dia-a-dia, pouco sabemos a respeito, e o que sabemos, diversas vezes, deriva de mitos e preconceitos que acabam se fortalecendo indevidamente e pintando uma imagem errada do que de fato são. O Autismo, ou mais precisamente, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é, infelizmente, um destes casos. O que é uma pessoa autista? O que não é uma pessoa autista? O autismo é uma doença? Continue acompanhando o texto e descubra um pouquinho mais sobre isto. Mas, antes que prossiga, é de extrema importância apontar que este texto fora produzido com base na leitura de artigos e publicações a respeito do assunto (que estarão ao término deste para consulta e aprofundamento do assunto para quem queira) por profissionais devidamente qualificados. Caso esta produção textual tenha lhe interessado, procure mais sobre. Informe-se. Conhecimento nunca é demais, ainda mais quando nos ajuda a compreender e ter mais empatia pela pessoa do nosso lado.


Um pouco mais a respeito da história do Autismo

O termo “autismo” foi utilizado pela primeira vez em 1908, pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuler (1857-1939), com o intuito de ofertar uma descrição a respeito de uma “fuga da realidade” observada em pacientes esquizofrênicos. Esta denominação derivaria da palavra grega autós, que significa “voltar-se para si mesmo”. O termo volta a parecer nos trabalhos de LeoKarnner (1894-1981), “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo” (1943) e no ano seguinte com Hans Asperger (1906-1980), “A psicopatia autista na infância” (1944), apresentando, respetivamente, onze casos de crianças que demonstravam “um isolamentoextremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da mesmice” e dados que indicavam a ocorrência preferencial em meninos, apresentando falta de empatia, baixa capacidade de fazer amizades, conversação unilateral, foco intenso e movimentos descoordenados. Mas é apenas em 1952 que a Associação Americana de Psiquiatria publica a primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais DSM-1, este que se torna referência mundial e atua como uma espécie de manual a respeito das nomenclaturas e critérios padrão para o diagnóstico dos transtornos mentais estabelecidos. Entretanto, não cessam por aí as confusões a respeito do que verdadeiramente se tratava o autismo. É nos anos 60 que crescem as evidências de que o autismo se trataria de um transtorno cerebral presente desde a infância, não se restringindo a países, grupos socioeconômicos ou étnico-raciais. Na mesma década o autismo passa a ser referido como “Síndrome de Asperger”.

Em 1978, o psiquiatra MichaelRutter (1933) classifica o autismo como um distúrbio do desenvolvimento cognitivo, propondo uma definição base em quatro critérios específicos, estes sendo: 1. Atraso e desvios sociais, não se restringindo a deficiências intelectuais; 2.Problemas de comunicação; 3. Comportamentos incomuns, a exemplo movimentos estereotipados e maneirismos; 4. Manifestando-se antes dos trinta meses de idade ou dois anos e meio. É graças a essa definição que o autismo é posto no grupo dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) dois anos depois na edição do DSM-3, identificando que diversas áreas do funcionamento cerebral são afetadas pelo autismo e suas condições relacionadas. O termo “espectros” começa a ser utilizado com Lorna Wing (1928-2014), firmando o termo “Síndrome de Asperger”.

Quase uma década depois, em 1988, com o filme “Rain Man”, dirigido por Barry Levinson (1942), protagonizado por Dustin Hoffman (1937), Tom Cruise (1962) e vencedor do Oscar de Melhor Filme, o autismo ganha atenção, aumentando a conscientização e a sensibilização do público a respeito do transtorno, mas também contribuindo para uma interpretação errada na qual todas as pessoas com TEA possuiriam uma síndrome da genialidade ou savant, uma disfunção cerebral rara em que o indivíduo apresenta aptidões altamente desenvolvidas em áreas específicas.

Desde então outros critérios foram avaliados a respeito do autismo, como a existência de casos leves, falsas alegações de que vacinas causariam autismo, a sanção da Lei Berenice Piana (12.764/12) que garantia direitos aos portadores de TEA como o acesso a um diagnóstico precoce, tratamento, sessões de terapia e medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Mas, afinal de contas, o que exatamente é o autismo?

O Autismo é um transtorno marcado por desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou princípio da infância. Ah, então “É aquela pessoa que se balança no cantinho isolado?”, e será que “Todas as pessoas autistas apresentam as mesmas características?”, olha, e eu “Posso acabar ficando autista ou me sentir autista?”, mas “Autistas são super gênios?”. Vamos com calma. Entre as características de um indivíduo com autismo estão o déficit na comunicação social ou interação social, padrões restritos e repetitivos de comportamento, além de hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Apesar de estas características serem compartilhadas entre indivíduos com esta condição, elas apresentam-se em intensidades diferentes. Então o autista não é a “pessoa que fica se balançando no cantinho”, embora isto possa ocorrer, mas apenas em casos mais severos. Pessoas com TEA estudam, trabalham e constituem famílias como qualquer outra pessoa, portanto fique atento aos estereótipos e procure se informar. Outro ponto importante a se destacar é que os primeiros sinais do TEA são visíveis em bebês entre um e dois anos de idade, embora possam ser identificados antes ou depois disso, mas não é uma condição que se desenvolve durante a vida, mas sim uma que se lida por toda ela. E se você acha que toda pessoa com autismo possui uma inteligência fora do comum, pode tirar o seu cavalinho da chuva pois os que realmente o têm são uma minoria. Para se ter uma noção melhor disto, dentre os autistas leves, apenas 10% destes de fato apresentam uma condição savant.


Existe um tratamento para o autismo?

Não se tem conhecimento de uma cura definitiva para o autismo, nem um padrão de tratamento que possa ser aplicado a todos os casos. Cada indivíduo portador deste distúrbio requer um acompanhamento específico, especializado e individualizado que exige a participação dos pais ou responsáveis. O uso de medicamentos é indicado apenas em casos onde surgem complicações ou comorbidades.


E como se lida com uma pessoa com autismo?

É de extrema importância que a família seja devidamente instruída a respeito, além de estabelecer uma forma eficiente de comunicação, visto que esta é uma das principais afetadas. Mas não somente isto. Cuidados como manter a organização do meio onde o indivíduo autista está inserido, atentar-se para a necessidade ou não de uma educação especializada, apesar do incentivo a inclusão em escolas regulares ser muito bem-vindo e essencial, cada caso continua sendo um caso. “Mas e se não tenho alguém com autismo na minha família, e sim na minha escola, faculdade ou trabalho?”. É fundamental que tenha cuidado com toques e palavras, visto que este tipo de coisa tende a atingi-los de forma diferenciada, dado que podem ser mais sensíveis ao toque. Evite usar ironias ou termos de duplo sentido. Aposte na comunicação direta, já que sinais não verbais podem ser igualmente não ser óbvios. Aja com delicadeza. Tente se comportar de forma calma.


Conclusão

Torço para que este texto tenha lhe sido instrutivo e esclarecedor. Vivemos em um mundo cruel onde a maldade e violência se ressaem muito mais do que qualquer outra coisa, então o que pudermos fazer entre nós para incentivar e espalhar o bem é extremamente bem-vindo. Tome cuidado com o que diz e faz e para com quem o diz e faz. Se está em dúvida sobre algo, não tenha medo de perguntar. De se informar. Não se deixe levar por mitos e preconceitos. Informe-se através de fontes adequadas e seguras. Faça esse esforço, tenho certeza de que não irá se arrepender. Não custa absolutamente nada ter um pouco mais de empatia pela pessoa do seu lado. Pense nisso. E obrigado por ler!


Como informado anteriormente, seguem as referências utilizadas para composição deste texto:


Referências:


BRUNA, Maria Helena Varella. Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dráuzio Varella, 2021. Disponível: <https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/transtorno-do-espectro-autista-tea/>. Acesso em: 09/05/2021.


GALETI, Fabrícia Signorelli. Como lidar com o autismo? 7 comportamentos que podem ajudar. Supera, 2020. Disponível em: <https://superafarma.com.br/como-lidar-com-o-autismo-7-comportamentos-que-podem-ajudar/>. Acesso em: 09/05/2021.


PAULINO, Kadu Vinicius Toledo. Monografia: Autismo. Universidade de São Paulo (São Carlos), 2015.


O que é o Autismo?. Autismo e Realidade, 2020. Disponível em: <https://autismoerealidade.org.br/o-que-e-o-autismo/>. Acesso em: 09/05/2021.


O que é o Autismo?: Marcos Históricos. Autismo e Realidade, 2020. Disponível em: <https://autismoerealidade.org.br/o-que-e-o-autismo/marcos-historicos/>. Acesso em: 09/05/2021.


O que é uma pessoa autista? 6 coisas para aprender sobre o tema!. Autismo em dia, 2020. Disponível: <https://www.autismoemdia.com.br/blog/o-que-e-uma-pessoa-autista-6-coisas-para-aprender-sobre-o-tema/>. Acesso em: 09/05/2021.

 
 
 

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