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O Trabalho e a Revolução Industrial

  • RP História UNEB
  • 28 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

Extraída em: https://mundodahistoriablog.wordpress.com/2017/11/19/trabalho-infantil-na-revolucao-industrial/


Você já reparou que desde pequeno e durante toda a vida adulta parece que essa mesma vida gira em torno do trabalho? Lembro-me que quando no jardim de infância as minhas professoras já perguntavam: o que vocês querem ser quando crescer? Era um questionamento delimitado, pois referia-se somente a profissão. A educação, seja o ensino básico, seja o ensino superior, parece estar voltada somente para o mercado de trabalho. Aliás, passamos a maior parte do dia, da semana, do mês, do ano, voltado ao trabalho! Quantos brasileiros e brasileiras acordam bem cedo, de segunda a sábado (e mesmo ao domingo), para passar uma ou duas horas no transporte público, oito ou nove horas na empresa, e só retornam para casa à noite? Não seriam um equivoco dizer que o trabalho acompanha o homem desde o primórdio da humanidade (ou seria?). Mas quando surge o trabalho assalariado em larga escala? Refiro-me ao trabalho nas fábricas, por exemplo, na qual os trabalhadores vendem sua força de trabalho por um certo valor? Mais ainda: como era esse tipo de trabalho logo quando surgiu? Será que muita coisa mudou? Ainda existem muitas semelhanças? Podemos dizer que esse “trabalho” se desenvolve com a Revolução Industrial.

A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra por volta de 1760, foi um conjunto de mudanças profundas no modo de os seres humanos produzirem mercadorias, viverem e se relacionarem uns com os outros. Antes da Revolução Industrial, as formas de produção predominantes nas cidades europeias eram o artesanato e a manufatura. Depois, com a criação de máquinas industriais movidas a vapor, ocorreram mudanças profundas. Cada uma dessas máquinas substituía diversas ferramentas e realizava o trabalho de várias pessoas. As pessoas foram deixando de trabalhar em casa, ou em oficinas, e passaram a trabalhar em fábricas para um patrão em troca de salário. Essa nova forma de produção recebeu o nome de maquinofatura. Foi uma revolução que impactou em diversos aspectos das relações humanas: intensificou os meios de transportes, ferroviários e marinha, a comunicação, a economia, a medicina, a urbanização e a demografia, por exemplo.

Entretanto, nas fábricas as condições de trabalhos eram as piores e mais duras possíveis. Não havia limite de tempo. Trabalhava-se enquanto a claridade ou a luz do dia o permitissem, ou seja, até quinze ou dezesseis horas por dia. Nunca se descansava, nem mesmo aos domingos. Não existiu delimitações de idade. Crianças desde três, quatro, cinco nos de idade já estavam dentro das instalações fabris, nas minas de carvão, locais completamente insalubres. Não havia aposentadoria. Os salários eram superbaixos e não havia nenhum tipo de regulamentação ou legislação que auxiliasse, por exemplo, uma mulher grávida ou parturiente, um trabalhador que se acidentasse gravemente ou mesmo uma criança.


Entrevista concedida por Hannah Brown

para o Comitê da Câmara de Comuns, em 13 de junho de 1832.


Pergunta: Com quantos anos você começou a trabalhar em fábricas de fiação?

Resposta: Aos nove anos de idade.


P: Qual era seu horário de trabalho?

R: Eu começava às seis horas da manhã e trabalhava até às nove da noite.


P: Havia um horário para as refeições?

R: Não, não tinha.


P: Este trabalho afetou seus membros? [...]

R: Sim; meus dois joelhos são meio virados pra dentro.

[...]


P: Sr. Ackroyd alguma vez castigou você?

R: Sim; ele me segurou pelo cabelo e pela orelha, me puxou e me bateu.


P: Você o viu adotar um tratamento semelhante com alguém mais?

R: Sim. Eu tinha visto ele puxar uma parente minha pelo cabelo.


P: Você quer dizer que ele a arrastou pelo cabelo?

R: Sim, por vários metros.

 
 
 

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"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."

Paulo Freire

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