top of page
  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon

A Vida de Malcolm X e a Luta por Direitos Civis nos EUA

  • RP História UNEB
  • 14 de mai. de 2021
  • 4 min de leitura

Imagem extraída de: <https://todosnegrosdomundo.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Malcolm-X-right.jpg>


Malcolm Little, mais conhecido pelo nome que adotou após entrar na Nação do Islã, Malcolm X, é uma das mais importantes e controversas personalidades negras do século XX. Na história, porém, mais importante do que decorar os nomes e as datas é entender as ideias e suas motivações.

Nascido em 1921, em Omaha, Malcolm Little perdeu seu pai ainda aos seis anos, vítima do ataque de supremacistas brancos; sua mãe, nascida do estupro de uma mulher negra por um branco, possuía a pele mais clara e conseguia empregos domésticos, assim, passando-se por branca, até que seus patrões descobrissem seu sangue negro. É importante perceber aqui que, diferentemente do contexto brasileiro, onde tivemos a o surgimento de um fenômeno denominado "racismo velado"; os Estados Unidos passaram por um período extremamente segregacionista garantido pela lei, com serviços diferentes para negros e brancos, sendo os primeiros proibidos de usar banheiros ou entrar em restaurantes para brancos, por exemplo, ou mesmo sentarem-se em um ônibus se houvesse um branco em pé no mesmo, sob risco de prisão e processo. Sobre o racismo nos EUA, outra característica marcante e diferente do contexto que vemos em nosso país é que, enquanto no Brasil muitas vezes dá-se mais importância aos fenótipos para caracterizar uma pessoa enquanto negra, nos EUA sua herança genética define sua etnia; basta uma gota de sangue negro para que o indivíduo seja visto como negro perante a sociedade e o Estado, ainda que não apresente estes traços em sua fisionomia.

Com o constante desemprego, os assistentes sociais do governo acabaram por separar a família de Malcolm e internar sua mãe em um hospital psiquiátrico. É notável que até o fim da infância de Malcolm, as figuras brancas que entraram em sua vida não foram as melhores, o que viria a influenciar na visão de mundo que este teria quando adulto. Ainda na escola, buscou nos estudos um modo de conseguir uma vida melhor, tirando sempre boas notas. Queria ser advogado, até ouvir de um professor branco que aquela não era a profissão de um negro, que o mesmo poderia ser um carpinteiro se quisesse. Ou seja, que buscasse um trabalho braçal.

Ao fim da escola, desiludido, Malcolm buscaria no crime um meio de sustentar sua vida boêmia, envolvendo-se com drogas e assaltos, alisando seu cabelo com uma substância que avermelhava seus cabelos e passando a noite com mulheres brancas, até ser preso. Foi na prisão que Malcolm descobriu o poder da leitura e, cansado de ser acusado por cristãos brancos de ser Satanás, aproximou-se da Nação do Islã; nela, Malcolm ouviu que o homem branco era o verdadeiro Satã, não ele, e recordou-se de todos os homens brancos que conhecera e da forma negativa que estes afetaram sua vida. Após sair da prisão, Malcolm Little convertera-se ao islamismo, trocando seu sobrenome branco “Little” por um X, e começara a pregar para os negros sobre as ideias de Elijah Muhammad e da Nação do Islã.

Na década de 1950 enquanto os Estados Unidos brigavam com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pelo direito de espalhar sua "democracia" em todo o globo, sua população negra viva em solo norte-americano sem direitos básicos que para nós, hoje, são óbvios: como poder almoçar em um restaurante de nossa escolha ou poder sentar em um banco de transporte público quando estamos cansados. É nesse contexto que acirram-se as lutas por direitos civis, na tentativa de conquistar direitos básicos para a população negra.

Fora diversas vezes taxado de extremista e de racista por defender a vida e segurança dos negros “por quaisquer meios necessários”. Ao argumentar sobre o direito de homens negros armarem-se, Malcolm ouviu que isso era uma fala controversa, homens negros com armas, onde o mesmo não entendeu por que seria controversa a ideia. Vale lembrar que nos EUA é assegurado o direito dos cidadãos à posse de armas de fogo. O direito à posse de armas de fogo é tão intrínseco à cultura americana quanto o Natal ou o ódio a tudo que não é americano. Talvez até mais.

Malcolm também defendeu que os negros pudessem construir seus próprios negócios, de negros para negros, e não ficar esperando saber se os brancos irão servi-los ou não em seus restaurantes, sendo taxado também de segregacionista por isso. Mas suas ideias nesse período vêm exatamente da sua religião e das experiências que teve, Malcolm até o momento não tinha uma boa experiência com a comunidade branca. Posteriormente, após sair da Nação do Islã e um período na cidade sagrada de Meca, Al Hajj Malik Al-Shabazz, nome que adotou, voltaria aos EUA com um novo discurso. Entendendo que o líder da Nação do Islã havia deturpado as ideias da religião, ao se corromper, e tendo vivenciado outras experiências com brancos em Meca, Malcolm fundara sua própria organização e admitia cooperar com outros líderes dos direitos civis (antes duramente criticados pelo mesmo). Sobre a questão branca, quando perguntado respondeu: “Os brancos são seres humanos na medida em que isto for confirmado em suas atitudes em relação aos negros”. Infelizmente, pouco dessa nova fase de Malcolm foi vista, uma vez que o mesmo foi assassinado pouco tempo depois de retornar aos EUA, durante um de seus discursos, mas sua história de luta pelos direitos dos afro-americanos permanece na memória de todos que lutam contra injustiças e a favor do povo negro.

Vale lembrar que esta é apenas uma pequena parcela de uma grande história que é a vida e luta de Malcolm X, muito mais material pode ser encontrado em diversas fontes históricas e obras da cultura pop, vou deixar linkado abaixo algumas sugestões.



Sugestões para mais conteúdos:


Levantejuventude discurso "Por quaisquer meios necessários": <https://www.youtube.com/watch?v=2x8KgPf8Pq0>

Filme Malcolm X (1992), de Spike Lee: Disponível na Amazon Prime Vídeo

Cena do discurso "Negro da casa"no filme Malcolm X (1992): <https://www.youtube.com/watch?v=RvrjFyPt2xI>





 
 
 

Comentários


"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."

Paulo Freire

© 2023 por Coisas Encantadoras. Orgulhosamente criado com Wix.com

    bottom of page