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A produção de conhecimento: Nova perspectiva de uma educação antirracista.

  • RP História UNEB
  • 29 de dez. de 2019
  • 3 min de leitura

Os desafios que permeiam o exercício da docência são múltiplos. Nos dias atuais, entre os ataques estruturais e a precarização do ensino, novas demandas surgem a todo momento dentro e fora das salas de aula. Algumas não são tão novas, porém aparecem numa nova perspectiva que exige esforço e dedicação ainda maior para serem tratadas com seriedade e compromisso.

A perspectiva de uma educação antirracista não é algo novo, talvez hoje mais difuso, porém não é algo novo. A Lei 10639/2003 que torna obrigatório o ensino de História e cultura Afro-Brasileira e a Lei 11645/2008 que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, são marcos dessa luta, embora estas encontrem entraves das mais diversas ordens para sua aplicação nas unidades escolares. Além disso, a luta para que corpos e mentes negras, nas diferentes esferas de ensino, que sirvam de referência para a juventude negra, ainda é uma batalha real.

Nesse sentido, convidamos a todas e todos para se pensar numa perspectiva que aponte para uma problemática que, talvez, passe despercebida, principalmente por alunos como nós, em processo de iniciação à docência. Por diversas vezes, questionamos uma história oficial onde os grupos subalternizados, aqueles que foram excluídos da história, os negros e negras, as mulheres e os povos indígenas não tenham suas histórias contadas. É imprescindível que se construa uma história onde estes sujeitos tenham suas existências evidenciadas e assumam o lugar de protagonistas das suas trajetórias, de suas lutas e conquistas. Mas quando pensamos na educação e na ciência, qual o papel destes sujeitos na construção do conhecimento?

Assim, torna-se urgente e necessário o entendimento historiográfico de que a presença destes sujeitos na história foi e é fundamental, também enquanto produtores de conhecimento, distanciando-os de estereótipos e subalternidades que, constantemente, lhes foram atribuídos pela história oficial. Tal compreensão constitui uma ferramenta crucial para uma efetiva educação democrática e antirracista, que sirva de referência para as populações que viveram e vivem condições de subalternidade e de exclusão social e política.

Para tanto, não podemos pensar que este é um debate pertinente, unicamente, às ciências humanas, é necessário um esforço multidisciplinar para que se distancie cada vez mais de uma visão onde todo o berço do conhecimento seja atribuído às nações europeias e seu processo colonizador, onde os grupos humanos, hegemonicamente brancos, perpetuam as violências de um discurso racista, machista e misógino que insiste em calar histórias e sujeitos.


O filme Estrelas além do Tempo, produzido em 2016, estrelado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janalle Monáe, é um exemplo dessa nossa reflexão.



O filme conta a história de mulheres afro-americanas que tralharam na NASA como computadores humanos, durante a corrida espacial no contexto da guerra fria. O filme, para além de revelar todas as tensões raciais vividas, mostra como o papel dessas mulheres foi de fundamental importância para que os EUA fossem os primeiros a pisar na lua, no entanto, os grandes nomes ligados a esse feito são de homens brancos.

O desafio para nós futuros professores é justamente ir além da evidência desses sujeitos, é buscar a contribuição destes ao longo da história, na construção de conhecimento e tecnologia. O seu legado para os avanços econômicos, sociais e políticos deve fazer parte de um esforço historiográfico de todos na construção de uma história democrática e justa.


Pra saber mais:

Lei 11645/08

Lei 10636/03

Trailer do Filme - Estrelas Além do Tempo


Redação: Daniel Renato Barbosa

Bolsista do Programa de Residência Pedagógica - CAPES, exercendo regência no Colégio da Polícia Militar – Dendezeiros.

 
 
 

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