A Origem do Dia Internacional da Mulher
- RP História UNEB
- 8 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Olá, leitores do nosso blog! Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, fizemos um pequeno post explicando a origem dessa data comemorativa tão importante!

O Dia Internacional da Mulher é marcado tanto como uma data de comemoração quanto como de protesto pela igualdade dos direitos políticos e trabalhistas das mulheres. Ainda no começo do século XIX existia uma grande dificuldade das mulheres assumirem espaços envolvendo a luta por direitos, as buscas de salários justos e do sufrágio eram pautas importantes nessa questão.
Na Europa e nos Estados Unidos, muitos grupos operários, formados por uma boa quantidade de mulheres, acabavam discutindo questões acerca de melhores salários, da não utilização de trabalho infantil nas fábricas e das jornadas de trabalho. Entretanto, muitas dessas personalidades femininas que se integravam ao movimento acabavam não tendo tanta voz para lutar pela igualdade de direitos. Existia uma mentalidade, até dentro do próprio proletariado, de que a questão de igualdade salarial, por exemplo, prejudicaria o movimento, pois havia o ideal de que a mulher só serviria para complementar as rendas familiares.
Essa dissonância fez com que muitas operárias procurassem outras formas de luta por direitos, dentre elas, é importante destacar Clara Zetkin, uma das principais lideranças do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, realizado em Copenhagem, no ano de 1910. Nesse evento, Zetkin acabou defendendo a criação de um Dia Internacional da Mulher com o intuito de promover a importância do embate feminino por direitos iguais, mesmo que naquele momento ainda não tivesse uma data exata para tal celebração.
De certa forma, muitas vezes é veiculado erroneamente de que foi nesse Congresso que foi definido que seria no dia 8 de março, gerado principalmente por conta das greves operarias estadunidenses de 1910 e, consequentemente, do notório incêndio da “Triangle Shirtwaist Company” em 25 de março de 1911. Mesmo que a ideia da necessidade de um Dia da Mulher tenha sido pensada anteriormente, esses acontecimentos são extremamente importantes para a formação de um movimento proletário feminino em diversos locais do globo.
A grande paralização operaria de 1910 acabou gerando um grande impacto nas pequenas indústrias americanas que tiveram de conceder melhores condições aos seus trabalhadores e trabalhadoras para voltar a sua normalidade. Já nas médias e grandes empresas, como forma de atrapalhar essas manifestações, existiam medidas de restrição da classe proletária, como a diminuição de salários e o fechamento das fábricas durante o funcionamento com o intuito de impedir a saída de seus respectivos funcionários (até a ida a banheiros foi algo regulado).
O incêndio da indústria “Triangle Shirtwaist Company” gerou grande comoção, pois o número de vítimas foi muito maior por conta dessas medidas restritivas, impedindo que muitos funcionários não conseguissem fugir das chamas e da fumaça. Cerca de 146 pessoas acabaram perdendo suas vidas, dentre as vítimas, 125 mulheres e 21 homens.
Em relação a data, a mesma está vinculada a outro importante evento histórico. No dia 8 de março de 1917, um grupo de trabalhadoras do setor de tecelagem fez uma greve na Rússia. Para o revolucionário Leon Trotsky, esse movimento foi um dos primórdios para a Revolução comunista de 1917. Depois de tal acontecimento, em várias localidades começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher nesse dia. Com isso, em 1975, a Organização da Nações Unidas (ONU) acabou oficializando o 8 de março.
Portanto, se percebe que a própria concretização da data foi elaborada a partir de uma série de acontecimentos históricos em variados períodos e localidades. A luta feminina por igualdade de direitos se tratou assim de um longo processo, marcado pela superação de dificuldades envolvendo a questão de gênero e tendo, como principais atuantes, mulheres que faziam parte do proletariado.
Referência:
ALTERMAN, E. B. 8 de março: conquistas e controvérsias. Revista Estudos Feministas, vol. 9, n. 2, segundo semestre, 2001, p. 601-607. Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, Brasil.





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