A Independência do Brasil: entre mitos e problemáticas
- RP História UNEB
- 7 de set. de 2021
- 2 min de leitura
Oi, caros leitores! Hoje falaremos de um assunto muito importante: O 7 de setembro!

Imagem extraída de: https://site.oatibaiense.com.br/2019/09/independencia-ou-morte/
Os “ecos” da independência associam geralmente a imagem de Dom Pedro I, brandando a espada e gritando “Independência ou Morte!”. Um evento que muitas vezes aparece nos livros didáticos e que alimenta uma mitologia por trás desse evento. É preciso desmistificar determinadas noções acerca do 7 de setembro. Isso não desconsidera a importância de tal acontecimento, mas faz com que seja possível analisar a emancipação brasileira de forma crítica.
Uma imagem que geralmente é associada ao processo de independência do Brasil é de que o mesmo foi concluído sem disputas ou entraves, ou seja, de forma pacífica. Isso acaba invisibilizando a luta de diversos setores sociais de variadas localidades brasileiras. Um desses conflitos que demostram o apoio popular pela emancipação completa de Portugal foi o 2 de julho de 1823, considerado a conclusão da guerra pela independência da Bahia.
Ademais, ao se tratar da independência do Brasil, esse processo não começou e nem terminou em 7 de setembro. Diversos movimentos separatistas, que clamavam pelo fim do controle português, aconteceram bem antes de 1822 (sendo a Inconfidência Mineira um dos principais) e, além disso, Portugal só reconheceu o território brasileiro independente em 1825.
Outro elemento que se deve refletir é: essa independência foi para quem? Sabemos que a escravidão africana continuou em vigor, de forma institucionalizada pelo governo monárquico, até 1888. Por sinal, essa questão gerou diversos debates, além de um temor da possibilidade de revoltas escravas, como tinha acontecido na Revolução Haitiana. José Bonifácio, por exemplo, amigo próximo de Dom Pedro I, aconselhava que a continuidade do trabalho cativo representava um retrocesso à nação e que isso poderia acabar acarretando em um grande perigo pela enorme quantidade de escravizados presentes em território brasileiro.
Liberdade deveria ser uma questão debatida durante o processo de emancipação, mas até certo ponto. Entre seguir o exemplo da revolução haitiana, pautada principalmente nos ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade, ou a independência estadunidense, que não mexeu com as estruturas sociais, era melhor o segundo modelo. Entretanto, diferente dos Estados Unidos que se tornaram uma república, aqui se manteve um governo imperial, com um monarca diretamente ligado à família real portuguesa.
Mesmo com todas essas controvérsias, é celebrado o 7 de setembro como o dia da Independência no Brasil. Essa data comemorativa, com leis em 1949 e 2002 demonstrando sua importância como feriado nacional, é com toda certeza um marco para nosso país, mas é sempre necessário analisar os signos patriotas com a noção de que eles apresentam um contexto sócio-histórico.
Afinal, o ultranacionalismo, a paixão exacerbada por elementos nacionalistas sem nenhum tipo de problematização acerca desses, é uma via muito utilizada por regimes ditatoriais e totalitaristas. Se não tivermos uma consciência histórica sobre nossa bandeira, hino, processo de independência e usarmos de forma cega, apenas como um culto, podemos voltar aos tempos de “Brasil: ame-o ou deixe-o”.





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