1º de abril de 1964 – O golpe militar e sua enorme ameaça a democracia
- RP História UNEB
- 1 de abr. de 2021
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Imagem extraída do site: http://www.robsonsampaio.com.br/comunismo-no-brasil-nunca/
Há 57 anos, em 1º de abril de 1964, dava início no Brasil um dos períodos de maior autoritarismo que o país já conheceu. Diante da recente vitória do governo brasileiro em março de 2021 que permite a comemoração do golpe que resultou nos 21 anos Ditadura Civil-Militar Brasileira, é de extrema importância falar a respeito desse momento e entender por que motivos não devem ser comemorado, mas sim lembrado afim de que não cometamos erros semelhantes.
Durante o período compreendido entre 1964 e 1985 o país foi governado pelas Forças Armadas, período marcado por repressão, cassação de direitos políticos e individuais e perseguição aos inimigos do regime. É relevante entender que o golpe não foi um episódio inesperado, mas sim o resultado de uma construção, de um consenso coletivo que acreditava na urgente necessidade de expurgar a imagem do comunismo e de tudo aquilo que se aproximava dele.
Em 1964, o mundo vivia a Guerra Fria, momento marcado pela oposição entre capitalistas (EUA) e o comunismo (URSS). Por esta razão foi construído na mente dos brasileiros, com grande ajuda da grande imprensa, que era necessária alguma intervenção que impedisse a “ameaça vermelha”. A partir disso, é possível perceber o caráter civil desse movimento, uma vez que a sociedade brasileira em 1964 temia que o país se transformasse em uma nova Cuba e por esse motivo apoiou de diversas formas a consolidação desse golpe, acusando o presidente João Goulart de comunista, muito por causa da relação que esse tinha com a esquerda e também devido ao seu apoio as reformas, em especial a agrária. A mídia tem enorme participação na construção dessa imagem distorcida de Jango, fazendo com que alguns autores falem sobre o caráter midiático do regime.
Jango, que assumiu a presidência após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, era um proprietário rural que estava longe de ser comunista, mas contava com o apoio da esquerda por ter sido anteriormente Ministro do Trabalho e por ter lutado a favor dos trabalhadores. Em março de 1964, alguns acontecimentos conspiraram para consolidação do golpe como a Revolta dos Marinheiros e a atitude de Jango referente a ela, o discurso inflamado do presidente no Automóvel Clube e as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, orquestradas pelos Estados Unidos e organizadas por mulheres brancas, urbana e abastadas, mobilizadas pelo interesse de classe e pela defesa dos privilégios que o comunismo ameaçava.
Em 31 de março de 1964, o golpe que culminaria na Ditadura Militar no Brasil foi deflagrado e em 1° de abril à presidência foi declarada vaga por Auro de Moura Andrade, senador, em uma sessão no congresso que também declarou Ranieri Mazzilli como novo presidente, ele que era presidente do senado na época. Apesar de João Goulart ainda se encontrar no território brasileiro, os Estados Unidos reconheceram o novo representante e o golpe foi consumado.
É de extrema importância falar e reconhecer os caminhos que levaram a ditadura no país, principalmente em um momento no qual a democracia parece tão ameaçada. A importância da História reside em entender a necessidade de rememoração, nunca comemoração, que é essencial para fique clara o papel dos revisionistas da ditadura e dos negacionistas.
Nos dias de hoje a sociedade tem uma enorme dificuldade de responsabilizar grande parte dos civis brasileiros em 64 pela consumação do golpe, permitindo que tal questão caia no esquecimento. Mas, é função social dos historiadores revelarem verdades, assim como é a função do Estado a rememoração, em um propósito formador de uma ética democrática que contribui na intensificação dos valores democráticos e na formação de um olhar crítico, entendendo o que levou o apoio ao golpe e porque isso não pode se repetir. Com isso, haverá o reconhecimento de que o acontecimento de 64 foi um processo de construção histórico-social e não um acidente de percurso. Como bem concluiu Daniel Aarão Reis Filho, em “Ditadura e Sociedade: As Reconstruções da Memória” é sobre “criar condições para que o abominável não volte assombrar e a atormentar a história destes brasis". (REIS: 2004, p. 50).





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