A aplicação do filme “Uma História de Amor e Fúria” (2013) no ensino de História.
- RP História UNEB
- 20 de dez. de 2019
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Há muito tempo ouvimos sobre a utilização das mídias no Ensino de História e de como elas podem ser úteis para estreitar os laços entre os educandos e o professor, bem como servem de novas fontes ou documentos para abordar temas históricos nas salas de aula. As transformações da sociedade contemporânea, bem como as novas perspectivas da historiografia, a exemplo das relações entre história e memória, têm estimulado o debate sobre a necessidade de novos métodos de ensino de História.
É inegável a necessidade de integrar diferentes linguagens nas aulas de História em todos os níveis de ensino. Neste contexto, os filmes são recursos que mais facilmente são incorporados à rotina escolar, a depender da estrutura que a escola oferece, e por esse motivo passou a ser um grande aliado de docentes, uma vez que se pode extrair deles, informações e reflexões. Ver filmes compreende olhares diferenciados num processo integrado que parte da perspectiva de que é tão importante sua apreciação quanto sua leitura. (SANTOS: 2015).
No caso da estratégia didática utilizada na turma do 8º ano do ensino fundamental do Colégio da Polícia Militar – Dendezeiros, foi utilizado um trecho do filme “Uma História de Amor e Fúria” (2013), que abordava a Revolta da Balaiada, ocorrida no Maranhão, entre 1838 e 1841. “Uma História de Amor e Fúria” é um filme de animação brasileira, do gênero ficção científica, escrito e dirigido por Luiz Bolognesi. O filme é produzido pela Gullane e Buriti Filmes, com a coprodução da Lightstar Studios. Foi lançado em 5 de abril de 2013 nos cinemas brasileiros e em 26 de fevereiro de 2015 nos cinemas portugueses. O enredo conta a história de um homem que está vivo há 600 anos no Brasil. O protagonista passa por momentos marcantes da história do país, desde os conflitos indígenas na época da chegada dos europeus, passando pela Balaiada no Maranhão, pela ditadura militar e a guerra pela água num futuro não tão distante em 2096.
O trecho que aborda a balaiada foi fundamental para a compreensão por parte dos estudantes acerca do que estava acontecendo no momento, quem eram as pessoas que protagonizavam essas revoltas e quais as consequências geradas pós movimentação popular. Esse último ponto foi muito destacado pelos próprios estudantes, que puderam debater como, no decorrer dos processos históricos, os indivíduos que foram responsáveis por genocídios em nome do Estado brasileiro e injustiça hoje estão em formas de estátuas, ocupando as principais praças das cidades do país ou recebendo nomes de ruas, enquanto os sujeitos que estiveram na frente de combate das injustiças, desigualdades sociais e dos preconceitos, foram mortos e apagados da História.
Através do mesmo filme foi possível levar o conteúdo a ser trabalhado na sala de aula, que era a Balaiada (explicando sobre motivações, situação da política na época, estratégias e consequências), bem como desenvolver um debate acerca da construção da historiografia e de como ela valoriza os “vencedores”, ainda que o público tenha sido alunos de 8º ano, entre 14 e 16 anos. “Uma História de Amor e Fúria”, além de ser uma produção brasileira, é um material que se preocupa com a história contada de forma responsável, sem levar seu público para um lugar fantasioso, trazendo importantes discussões de uma forma leve, mas que enlaça tanto os estudantes quanto os docentes. Por ter essa qualidade na sua produção, a utilização dessa fonte/documento em sala de aula pode ser uma experiência interessante assim como foi pra mim.
Redação: Katarina Pinto Fontes Dantas Martins
Bolsista do Programa de Residência Pedagógica - CAPES, exercendo regência no Colégio da Polícia Militar – Dendezeiros.





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